Nesta segunda-feira (18), Dia Nacional da Luta Antimanicomial, Itajaí realiza uma série de ações voltadas à conscientização sobre saúde mental, inclusão social e fortalecimento do cuidado humanizado. A programação especial acontece ao longo do mês de maio, promovida pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e CAPS Infantojuvenil (CAPSi), com atividades culturais, terapêuticas e de integração entre usuários, familiares, profissionais e comunidade.
As ações fazem parte da mobilização nacional da luta antimanicomial, movimento que defende o cuidado em liberdade, o respeito aos direitos das pessoas em sofrimento psíquico e a superação dos modelos de exclusão e isolamento historicamente associados ao tratamento em saúde mental.
Em Itajaí, a programação reúne rodas de conversa, grupos terapêuticos, saraus, cine CAPS, apresentações culturais, oficinas, atividades de autocuidado e ações de convivência social. Entre os destaques estão o Sarau Antimanicomial “Vozes sem Fronteiras”, realizado na Casa da Cultura Dide Brandão, e a tradicional Feijoada do CAPS II, que chega à 15ª edição como um importante momento de integração entre pacientes e familiares.
O CAPS AD também desenvolve uma programação temática durante a semana, com debates sobre liberdade no cuidado, apresentações de teatro e poesia, jogos e encontros terapêuticos. Já o CAPSi promove atividades com escolas, exibição de filmes, assembleias e ações voltadas a crianças, adolescentes e suas famílias.
A responsável pela pasta de integração em saúde mental, Adrieli Corrêa Szynkaruk, destaca que a luta antimanicomial busca ampliar o olhar da sociedade sobre o cuidado em saúde mental. “Esse movimento reforça que o tratamento em saúde mental deve acontecer com acolhimento, vínculo, respeito e participação social. As atividades realizadas pelos serviços aproximam a comunidade desse debate e ajudam a combater preconceitos que ainda existem em relação ao sofrimento psíquico”, afirma.
A secretária municipal de Saúde, Mylene Lavado, ressalta os avanços e investimentos previstos para a rede psicossocial do município. “Em Itajaí ainda temos muito a avançar na rede psicossocial, mas estamos trabalhando para isso. Novos CAPS estão em projeto por meio de parceria público-privada, também temos o CAPS AD sendo construído no bairro São Vicente com recursos do PAC Federal e seguimos chamando concursados para fortalecer as equipes. Nosso compromisso é garantir acolhimento, dignidade e uma porta aberta para a população que precisa desse cuidado”, destaca.
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de Itajaí é formada por diferentes serviços que atuam de maneira integrada para garantir atendimento humanizado e territorializado. O município conta com 32 unidades de saúde da Atenção Básica, com psicólogos atuando nas regionais em atendimentos individuais, grupos terapêuticos, ações de prevenção e promoção da saúde mental, além da articulação com a rede intersetorial.
A estrutura também inclui três Centros de Atenção Psicossocial: o CAPSi, voltado ao atendimento de crianças e adolescentes; o CAPS II, destinado ao público adulto; e o CAPS AD, especializado no cuidado às pessoas com necessidades relacionadas ao uso de álcool e outras drogas. A rede ainda conta com os serviços de urgência e emergência, como as UPAs e o SAMU, que atuam no suporte às situações de crise em saúde mental.
Ampliação da rede de saúde mental
Itajaí segue avançando na qualificação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) com investimentos voltados à ampliação das equipes e fortalecimento dos serviços especializados em saúde mental.
Entre as ações realizadas está a convocação de todos os psicólogos aprovados no último concurso público do município. Ao todo, 9 profissionais foram chamados, sendo que 6 assumiram as vagas. Desses, 4 ingressaram na rede em 2025 e 1 em 2026. A expectativa é de que um novo concurso público contribua para ampliar ainda mais o atendimento em saúde mental no município.
Além do reforço nas equipes, Itajaí avança na construção de um CAPS AD III, serviço com funcionamento 24 horas voltado ao atendimento intensivo de pessoas com necessidades relacionadas ao uso de álcool e outras drogas.
O município também planeja a qualificação do CAPS II para CAPS III, ampliando a oferta de cuidado contínuo e atendimento intensivo à população.
Outras estratégias previstas incluem a implantação de um Serviço Residencial Terapêutico tipo II e de uma Unidade de Acolhimento Adulto, fortalecendo o cuidado territorial, a autonomia dos usuários e a reinserção social.
O município também estuda a obtenção de recursos para ampliar as unidades de CAPS na cidade, além da aquisição e construção de sedes próprias para os serviços, com foco na qualificação da estrutura de atendimento e na ampliação da capacidade de acolhimento da rede de saúde mental.

