seus personagens, acontecimentos e tradições. Esse foi um dos objetivos de mais um encontro do projeto Vozes da Sabedoria, que recebeu o pesquisador e escritor Diter Hans Bruno Cölln, autor do livro Porto Belo: Sua História, Sua Gente.
Em conversa conduzida por Marcos (Marquinhos), Diter compartilhou lembranças de sua trajetória, contou histórias que fazem parte da memória de Porto Belo e apresentou descobertas realizadas durante décadas de pesquisa.
Um dos destaques do encontro foi o anúncio de que a 5ª edição de sua obra está em preparação e deverá ser publicada em dois volumes, contemplando os períodos Colonial e Republicano.
Uma história que começou na Alemanha e chegou a Porto Belo
Diter nasceu em Berlim, na Alemanha, em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial. Sua relação com o Brasil começou anos depois, quando veio ao país por meio do Serviço de Voluntários Alemães para trabalhar como professor de eletricidade em Ijuí, no Rio Grande do Sul.
Após o término do contrato, retornou ao Brasil como imigrante em 1969. Trabalhou na Siemens, em São Paulo, e posteriormente atuou durante cerca de dez anos na Volkswagen.
A aproximação com Porto Belo aconteceu em 1983, quando visitou o município para conhecer oportunidades de negócios. O potencial encontrado no setor de serralheria acabou contribuindo para a decisão de se mudar definitivamente para a cidade com a família, em março de 1984.
Memórias preservadas por histórias e tradições
Durante o encontro do Vozes da Sabedoria, Diter também resgatou histórias que fazem parte da tradição oral de Porto Belo e da região.
Uma delas envolve a conhecida Pedra Descansa de Defunto, localizada no Morro de Bombas. Segundo o pesquisador, moradores do antigo distrito de Bombas utilizavam a pedra para apoiar os caixões durante o trajeto a pé até o cemitério da Igreja Matriz de Porto Belo.
Com a pavimentação da estrada, moradores da comunidade se mobilizaram para preservar o local e evitar que a pedra fosse destruída.
O pesquisador também contou um dos causos associados ao local. Barulhos ouvidos durante a madrugada chegaram a alimentar histórias sobre uma possível assombração. Posteriormente, a explicação teria sido descoberta: os sons eram de pessoas cantando Terno de Reis à distância.
Livro registra a história de Porto Belo
A ideia de reunir as pesquisas em um livro surgiu ainda no final dos anos 1980, após uma conversa informal com o então prefeito Manoel Felipe da Silva Neto, conhecido como “Piti”.
A primeira edição de Porto Belo: Sua História, Sua Gente foi publicada em 1987. A obra passou por atualizações ao longo dos anos e chegou à quarta edição, lançada em 2015.
Agora, Diter trabalha na preparação da quinta edição, que terá uma nova estrutura e será dividida em dois volumes: um dedicado ao período Colonial e outro ao período Republicano.
Pesquisas sobre a formação do município
Entre os assuntos apresentados no projeto está a tese defendida por Diter sobre a chamada Baía de Los Perdidos.
O pesquisador sustenta que a expedição de Juan Díaz de Solís teria passado pela região de Porto Belo entre 1515 e 1516, no paralelo 27º, relacionando a área à denominação histórica.
Outro ponto destacado foi a existência da antiga Colônia Felipe Schmidt, formada por imigrantes italianos na região do atual Sertão de Santa Luzia. Diter relatou ter encontrado informações sobre essa ocupação em pesquisas realizadas em arquivos de Florianópolis.
Entre o passado e o futuro de Porto Belo
A conversa também abordou as transformações recentes do município. Diter comentou sobre o crescimento urbano e imobiliário de Porto Belo e os desafios relacionados à mobilidade e ao trânsito.
Mesmo acompanhando as mudanças da cidade, ele mantém uma relação especial com locais que preservam parte da identidade do município, como o Centro Histórico e a Praça dos Pescadores.
É nesses espaços, segundo o pesquisador, que também encontra moradores antigos e histórias que ajudam a manter viva a memória de Porto Belo.
Vozes que preservam a memória
O encontro com Diter Cölln reforça a proposta do Vozes da Sabedoria de valorizar experiências, conhecimentos e histórias que fazem parte da identidade da comunidade.
Ao reunir relatos de quem ajudou a construir e registrar a história local, o projeto contribui para aproximar diferentes gerações e manter vivas memórias que poderiam se perder com o tempo.










