Itajaí avança na preparação para implantação do Método Wolbachia, estratégia que utiliza mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia para reduzir a capacidade de transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya.
A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Itajaí (DVE) realizou, nesta segunda-feira (14), uma reunião de alinhamento sobre o andamento do projeto e as próximas etapas da metodologia. A iniciativa também envolve a implantação de uma estrutura local que servirá de suporte à produção dos mosquitos utilizados no programa.
O imóvel destinado ao laboratório está localizado na sede da DVE, no bairro Barra do Rio, e passa pelos últimos trabalhos de reforma e adaptação. A previsão é de que a estrutura seja concluída ainda neste ano.
Escolas participam da etapa educativa
Antes da implantação da metodologia, as equipes da Vigilância Epidemiológica iniciaram ações de orientação em escolas estaduais de Itajaí.
A primeira atividade ocorreu em 8 de setembro, na Escola Básica Estadual Elizabeth Konder Reis, no bairro Cordeiros. O local faz parte de uma das quatro regiões que receberão o Método Wolbachia.
As equipes apresentam o funcionamento da tecnologia e esclarecem dúvidas de estudantes, professores e demais profissionais das unidades de ensino. A proposta é ampliar o conhecimento sobre a metodologia e estimular a participação da comunidade nas ações de prevenção.
Nesta semana, a programação inclui atividades na EEB Prof. Ary Mascarenhas Passos, nesta terça-feira (15); na EEB XV de Junho, na quarta-feira (16); e na EEB Prof. Henrique Midon, na sexta-feira (18).
Quatro bairros receberão a metodologia
A implantação do Método Wolbachia está prevista para os bairros Cordeiros, São Vicente, Cidade Nova e São João.
A tecnologia será utilizada como uma medida complementar às ações tradicionais de combate ao mosquito. O método consiste na utilização de mosquitos Aedes aegypti que carregam naturalmente a bactéria Wolbachia. Quando esses insetos se reproduzem com a população local de mosquitos, a bactéria é transmitida às novas gerações, reduzindo a capacidade de transmissão dos vírus.
De acordo com as informações divulgadas pela DVE, a Wolbachia está presente em cerca de 60% das espécies de insetos e não causa danos à saúde humana nem aos animais domésticos ou silvestres.
Mesmo com a nova estratégia, a Vigilância Epidemiológica reforça que as medidas tradicionais continuam necessárias. A eliminação de recipientes que acumulam água, a limpeza dos ambientes e a manutenção dos quintais permanecem entre as principais ações para evitar criadouros do Aedes aegypti.
Números da dengue em Itajaí
Os dados da DVE mostram uma forte redução no número de casos de dengue em Itajaí após o cenário registrado em 2024.
Naquele ano, o município contabilizou 41.697 casos e 39 mortes. Em 2025, foram 3.456 casos e cinco óbitos. Já em 2026, até o período considerado no levantamento, foram registrados 326 casos, sem mortes pela doença.
Entre os bairros que receberão a metodologia, Cordeiros registrou 10.121 casos em 2024, 571 em 2025 e 13 em 2026. São Vicente teve 5.406 casos em 2024, 718 em 2025 e 29 em 2026, enquanto Cidade Nova contabilizou 5.361 casos em 2024, 419 em 2025 e 13 em 2026.
A implantação do Método Wolbachia busca reforçar a prevenção e o controle das arboviroses no município, somando uma nova ferramenta às ações permanentes de combate ao mosquito transmissor.










