O El Niño está ganhando força rapidamente e deve aumentar a atenção para episódios de chuva intensa e temporais em Santa Catarina nos próximos meses. Uma nova atualização divulgada nesta quinta-feira (13) pelo Centro de Previsões Climáticas da NOAA, dos Estados Unidos, reforçou a possibilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre a primavera de 2026 e o verão de 2027.
A informação também foi destacada em nota meteorológica da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina, com dados analisados em conjunto com a Epagri/Ciram.
Segundo a atualização, a probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte supera 90%. A Defesa Civil catarinense aponta ainda, com base nas projeções da NOAA, 69% de chance de o episódio atingir, no período entre outubro e dezembro, um patamar superior ao dos eventos de El Niño registrados desde 1950.
Pacífico já apresenta forte aquecimento
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, associado a alterações na circulação da atmosfera capazes de modificar padrões de chuva e temperatura em várias regiões do planeta.
Em julho, a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 — uma das principais áreas utilizadas para acompanhar o fenômeno — ficou, em média, 1,4°C acima do normal. No monitoramento semanal divulgado em 10 de agosto, a anomalia já havia alcançado 1,8°C.
De acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina, o cenário atualmente caracteriza um El Niño de moderado a forte, mas o rápido aquecimento observado reforça a tendência de intensificação nos próximos meses.
O que isso pode significar para Santa Catarina?
Para Santa Catarina, a principal preocupação está relacionada ao aumento da frequência e do volume das chuvas.
A previsão climática elaborada pela Epagri/Ciram para agosto, setembro e outubro aponta precipitação acima da média climatológica em todo o trimestre. Frentes frias e outros sistemas de instabilidade também devem atuar com maior frequência e intensidade, favorecendo episódios de chuva forte em curto período, raios, granizo e vendavais.
O cenário merece atenção especial com a chegada da primavera. Setembro e outubro já apresentam naturalmente aumento das chuvas e dos temporais em Santa Catarina. Com um El Niño mais intenso atuando no mesmo período, cresce a probabilidade de episódios capazes de provocar alagamentos, enxurradas, inundações, vendavais e deslizamentos.
As temperaturas também devem permanecer acima da média durante o trimestre, segundo a Epagri/Ciram. Isso não significa ausência de frio, mas a expectativa é de períodos frios menos prolongados e maior ocorrência de intervalos de temperaturas elevadas.
E para Porto Belo, Itapema, Bombinhas e região?
Para quem vive em Porto Belo, Itapema, Bombinhas e demais municípios do litoral catarinense, a previsão não significa que haverá chuva constante ou que seja possível antecipar agora quando ocorrerá um temporal específico.
O prognóstico climático aponta uma tendência para os próximos meses. A localização, o relevo, a proximidade do mar e as características de cada sistema meteorológico influenciam a forma como cada região será atingida.
Por isso, eventos de curta duração precisam ser acompanhados pelos avisos meteorológicos emitidos com poucos dias ou horas de antecedência. A própria Epagri/Ciram destaca que a previsão sazonal não possui detalhamento suficiente para determinar quando e onde ocorrerá cada episódio severo.
Para a população da região, o cenário reforça principalmente a importância de acompanhar os alertas oficiais diante de períodos de chuva persistente, temporais, rajadas fortes de vento e outros eventos meteorológicos.
El Niño forte não é garantia de desastre
Apesar do cenário de maior atenção, especialistas ressaltam que nem todos os episódios fortes de El Niño produzem os mesmos impactos.
A Epagri/Ciram lembra que o El Niño de 2023/2024 esteve associado a longos períodos de tempo severo no Sul do país, enquanto o episódio muito forte de 2015/2016 apresentou comportamento diferente em Santa Catarina.
A instituição cita ainda a histórica enchente de 2008 no Vale do Itajaí, ocorrida durante uma fase de La Niña, para mostrar que eventos extremos dependem da combinação de diversos fatores atmosféricos e locais — e não apenas da presença do El Niño.
A própria NOAA reforça essa cautela: quanto maior a intensidade do fenômeno, maiores são as chances de impactos compatíveis com o El Niño, mas isso não significa que esses efeitos estejam garantidos em todos os locais.
Estado mantém monitoramento
A Defesa Civil de Santa Catarina e a Epagri/Ciram mantêm acompanhamento contínuo das condições oceânicas e atmosféricas e recomendam atenção aos boletins e avisos meteorológicos, que são atualizados conforme os modelos de previsão evoluem.
Para receber alertas da Defesa Civil diretamente no celular, é possível cadastrar o CEP por SMS no número 40199
Fontes: Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina, Epagri/Ciram e Climate Prediction Center (CPC/NOAA).










