Os constantes rompimentos na tubulação do Interceptor G, responsável pelo transporte de esgoto na região continental de Florianópolis, voltaram a acender o alerta sobre um problema que o mandato do deputado estadual Mário Motta (PSD) acompanha há anos: a precariedade da infraestrutura de saneamento e seus impactos diretos na balneabilidade das praias do Continente.
A situação é considerada crítica no chamado trecho 2 do Interceptor G. Em abril deste ano, a tubulação rompeu em dois pontos. O reparo foi concluído no dia 16 de abril, nove dias após o primeiro registro. No entanto, poucas semanas depois, os mesmos pontos romperam novamente. Desde então, os consertos têm se tornado frequentes no trecho, que se inicia na parte da praia onde está a chamada “Marinha”. O reparo mais recente ocorreu no último domingo (19), mas, apenas três dias depois, nesta quarta-feira (22), a estrutura rompeu pela quinta vez apenas em 2026.
Além da recorrência das fissuras, o sistema enfrenta outro agravante: a tubulação permanece instalada na orla e fica diariamente submersa nos momentos de maré alta. A combinação entre infiltração de água do mar, entrada de areia e o desgaste da estrutura aumenta o risco de extravasamentos de esgoto, o que compromete a eficiência do sistema e afeta diretamente a qualidade da água das praias da região.
De acordo com o deputado Mário Motta, os episódios demonstram que medidas paliativas já não são suficientes. “Os reparos sucessivos deixam claro que o problema é estrutural. Não podemos continuar tratando uma situação permanente com soluções temporárias. O trecho 2 do Interceptor G precisa ser substituído com urgência”, destaca.
Investimento conquistado para o trecho 1
Em conjunto com o Conselho Comunitário do Balneário do Estreito, Mário Motta cobrou a execução de uma solução definitiva para o trecho 1 do Interceptor G, reivindicação que resultou na assinatura, pela Casan, de um contrato de R$ 4,6 milhões para implantação de uma nova tubulação. O investimento só foi conquistado após a determinação da justiça.
A nova estrutura será construída em via pública, fora da orla, reduzindo a exposição às marés, minimizando o risco de rompimentos e contribuindo para a recuperação da balneabilidade das praias do Continente. A previsão é que a obra seja concluída no primeiro semestre de 2027. Agora, o parlamentar defende que a mesma solução seja adotada para o trecho 2, que apresenta problemas semelhantes e vem registrando falhas recorrentes.
“Conseguimos avançar no trecho 1 porque houve mobilização da comunidade e cobrança permanente. Mas não faz sentido resolver apenas metade do problema. O trecho 2 está nas mesmas condições, apresenta rompimentos constantes e continua colocando em risco o meio ambiente e a balneabilidade das praias do Continente”, observa.
O parlamentar também alerta para a necessidade de planejamento diante dos eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes. “Se a estrutura já não suporta períodos de chuva comuns, é preciso pensar no que pode acontecer diante de eventos climáticos mais severos, como o Super El Niño que se aproxima. Precisamos agir antes que os impactos sejam ainda maiores, pois estamos falando de uma das estruturas mais importantes do Sistema de Esgotamento Sanitário do Continente”, frisa.










