A Copa do Mundo escancarou um fenômeno que vem preocupando especialistas, famílias e autoridades: a presença cada vez maior das bets no cotidiano dos brasileiros. Com anúncios repetidos a cada intervalo, placas ao redor dos gramados e campanhas protagonizadas por influenciadores digitais, o campeonato acabou se transformando em uma verdadeira “Copa das Bets”.
Diante desse cenário, o deputado federal Jorge Goetten (Republicanos-SC) voltou a defender o Projeto de Lei 5.144/2023, de sua autoria, que cria mecanismos para coibir a divulgação de jogos de azar explorados sem autorização no país. A proposta alcança especialmente ações de publicidade realizadas por influenciadores, plataformas digitais, canais de transmissão e streamings.
“A paixão do brasileiro pelo futebol não pode ser usada para incentivar apostas de forma indiscriminada. Durante a Copa, vimos uma avalanche de propagandas que transformou as bets em protagonistas do espetáculo esportivo”, critica o parlamentar.
Os números reforçam a preocupação. Levantamento da fintech Klavi, com base em dados do Open Finance, mostrou que a parcela de brasileiros que realizou apostas durante a Copa chegou a 34,8% da população, mais que o triplo do índice registrado anteriormente, quando estava em 11%.
Goetten afirma que não é contrário aos jogos de apostas, desde que sejam tratados como entretenimento e dentro das regras estabelecidas no país. “Sou apoiador do jogo, mas sempre com responsabilidade e como uma forma de diversão, não como fonte de renda. O problema é quando a publicidade vende uma ilusão de ganho fácil e atinge milhões de pessoas sem qualquer controle”, afirma.
Andamento do projeto
O PL 5.144/2023 já avançou na Câmara dos Deputados e foi apensado a outro projeto (PL 4677/2026), pronto para votação em plenário pelos deputados federais. Para Goetten, o objetivo é dar instrumentos ao poder público para enfrentar a promoção de plataformas irregulares e impedir que empresas sem autorização encontrem na publicidade uma porta aberta para alcançar consumidores brasileiros.
“O que vimos na Copa mostrou que esse debate não pode mais ser adiado. Precisamos estabelecer limites e responsabilizar quem lucra promovendo atividades que operam fora das regras brasileiras. Não se trata de proibir, mas de proteger a sociedade e trazer mais segurança para quem aposta”, conclui.










