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Dois anos após rompimento de reservatório, Casan aponta avanços, mas cobrança por responsabilização continua

Relatório da CGE confirma falhas estruturais; deputado Mário Motta cobra celeridade para evitar impunidade

by da Redação

Dois anos após o rompimento do reservatório R4 da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), no bairro Monte Cristo, as consequências da tragédia seguem em discussão. O incidente, ocorrido em 6 de setembro de 2023, liberou cerca de 2 milhões de litros de água e afetou 280 famílias da comunidade do Sapé. Embora não tenha havido mortes, os prejuízos materiais e psicológicos foram milionários e motivaram a criação de uma Comissão Mista na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), relatada pelo deputado estadual Mário Motta (PSD).

Atualizações enviadas pela Casan e pela Controladoria-Geral do Estado (CGE-SC) ao gabinete do parlamentar mostram avanços em obras, capacitação de equipes e processos administrativos. Porém, apontam que processos disciplinares e judiciais ainda estão em andamento, mantendo a pressão por responsabilizações.

Avanços na Casan

Entre as medidas implementadas pela companhia está o desmembramento da área onde ficava o reservatório para doação ao Estado, com objetivo de receber um projeto habitacional do programa Minha Casa, Minha Vida, beneficiando famílias em situação de vulnerabilidade.

A Casan também instaurou Processos Administrativos Disciplinares (PADs) contra três engenheiros responsáveis pela fiscalização da obra, que estão na fase final de instrução. A companhia ainda incorporou as recomendações da Comissão Mista a um Plano de Capacitação Técnica, em conformidade com o Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

Outras ações incluem:

  • atualização do Plano de Contingência e Emergência do Sistema de Abastecimento de Água da Grande Florianópolis;
  • contratação de empresa especializada para inspeção estrutural de reservatórios, com laudos anuais e ações corretivas.
    Ambos os documentos estão disponíveis para consulta pública no site da Casan.

Relatório da CGE: falhas graves e pedido de ressarcimento

O Relatório de Auditoria nº 004/2025, da CGE-SC, confirmou falhas estruturais já apontadas pela Comissão Mista, como uso de estribos com diâmetro inferior ao previsto, ausência de barras de amarração e concreto de baixa qualidade. Fissuras identificadas desde 2017 foram ignoradas, o que agravou o colapso.

A auditoria recomenda a instauração de Tomada de Contas Especial para ressarcimento ao erário. Até agora, a Casan já desembolsou R$ 9,67 milhões em indenizações, além de fornecer refeições, isenção de contas de água e suporte emergencial às vítimas.

Judicialmente, seguem tramitando 37 ações individuais e uma Ação Civil Pública do MPSC, que cobra R$ 19,5 milhões da construtora responsável. Dois engenheiros foram indiciados por crimes de inundação e desabamento culposos, e bens avaliados em R$ 16,6 milhões foram bloqueados.

“Não podemos admitir a impunidade”, diz deputado

O deputado Mário Motta comemorou os avanços, mas cobrou agilidade.

“Essas medidas são fundamentais, mas causam preocupação quando demoram. Precisamos seguir vigilantes para que se transformem em ações efetivas e permanentes. Não podemos admitir a impunidade, para que uma tragédia como essa nunca mais se repita em nosso estado”, afirmou.

Para ampliar a transparência, o gabinete do parlamentar produziu o podcast “Casan: O Caso do Monte Cristo”, já disponível no canal oficial no YouTube.

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