Santa Catarina está ampliando o Sistema Antigranizo para reduzir os danos provocados por tempestades de granizo à produção agrícola. A iniciativa, coordenada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), conta com convênios firmados com prefeituras para a instalação e manutenção dos equipamentos.
Até outubro de 2026, foram autorizados convênios para implantação do sistema em 27 municípios, com investimentos de R$ 17,6 milhões. Outros dez municípios já manifestaram interesse em aderir à tecnologia. Ao todo, há 228 geradores autorizados, entre equipamentos em funcionamento e unidades em fase de implantação.
Em 2025, o programa contemplava 13 municípios por meio de convênios. Em 2026, o número chegou a 27, crescimento de 107,7%.
Sistema já funciona em 17 municípios
Atualmente, o Sistema Antigranizo está em operação em 17 municípios catarinenses: Caçador, Calmon, Fraiburgo, Lebon Régis, Macieira, Matos Costa, Pinheiro Preto, Rio das Antas, Tangará, Timbó Grande, Videira, Arroio Trinta, Ibiam, Aurora, Chapadão do Lageado, Imbuia e Iomerê.
A implantação também está em andamento em São Joaquim, Ituporanga, Petrolândia, Vidal Ramos, Bom Jardim da Serra, Atalanta, Joaçaba, Lacerdópolis, Presidente Castello Branco e Urubici.
A tecnologia está presente em regiões com histórico de ocorrência de granizo e produção expressiva de frutas, uvas destinadas à vitivinicultura e cebola, entre outras culturas agrícolas.
Segundo o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, a ampliação busca levar a tecnologia a mais áreas produtoras e contribuir para reduzir os prejuízos causados pelas tempestades.
Como funciona o Sistema Antigranizo
O sistema utiliza informações de radares meteorológicos para identificar condições favoráveis à formação de granizo. Os geradores instalados no solo queimam iodeto de prata e lançam o composto em direção às nuvens.
A tecnologia busca interferir no processo de formação das pedras de gelo, favorecendo a formação de partículas menores, que podem se desintegrar durante a queda ou atingir o solo com tamanho reduzido. Cada gerador tem uma área de cobertura estimada em um raio de aproximadamente cinco quilômetros.
De acordo com o meteorologista João Luís Rolim, diretor da AGF Antigranizo Fraiburgo, o objetivo é diminuir o tamanho das pedras e, consequentemente, os danos provocados às plantações.
Tecnologia começou com a proteção da produção de maçãs
A utilização do Sistema Antigranizo em Santa Catarina começou com foco na proteção dos pomares de maçã, a partir da mobilização dos próprios produtores. Posteriormente, a tecnologia foi expandida para outras regiões e culturas, incluindo áreas de produção de tomate em Caçador.
O gerente comercial de uma empresa de frutas e boxista da Ceasa-SC, Ricardo Camilo, afirma que o sistema contribui para preservar a qualidade dos produtos agrícolas, reduzindo os danos provocados pelo granizo às frutas.
A ampliação do programa busca fortalecer a prevenção de perdas no campo e contribuir para a atividade econômica dos municípios que dependem da produção agropecuária.










