O El Niño está se fortalecendo e se aproxima da categoria de intensidade muito forte, segundo o acompanhamento da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). A temperatura do Oceano Pacífico Equatorial apresenta atualmente uma anomalia de aproximadamente 1,8°C, faixa considerada de El Niño forte.
Diante da evolução do fenômeno, a Defesa Civil de Santa Catarina mantém o monitoramento contínuo das condições climáticas e dos possíveis impactos sobre o estado. A expectativa é de maior atenção especialmente durante a primavera de 2026 e o outono de 2027, períodos em que historicamente o El Niño pode favorecer o aumento das chuvas em Santa Catarina.
Apesar da possibilidade de o fenômeno superar os 2°C de anomalia e ser classificado como muito forte, a Defesa Civil alerta que a intensidade do El Niño, sozinha, não determina a ocorrência de eventos extremos.

El Niño forte não significa necessariamente grandes enchentes
O gerente de monitoramento e alerta da Defesa Civil de Santa Catarina, Frederico de Moraes Rudorff, explica que a relação entre a intensidade do fenômeno e a ocorrência de desastres não é direta.
Segundo ele, as enchentes que atingiram o Vale do Itajaí em 2023 e o Rio Grande do Sul em 2024 aconteceram sob influência de um El Niño moderado e foram mais severas do que eventos registrados em 2015, quando o fenômeno apresentou uma das maiores intensidades já observadas.
Além disso, episódios extremos também já ocorreram durante períodos de La Niña, como os desastres registrados em 2008, as enchentes no Alto Vale do Itajaí em 2011 e o ciclone-bomba de 2020.
Por isso, a Defesa Civil acompanha não apenas o El Niño, mas também outros padrões atmosféricos capazes de influenciar a formação e a intensidade das chuvas.

O que é um El Niño muito forte?
O fenômeno é monitorado em diferentes áreas do Pacífico Equatorial, conhecidas como Niño 1+2, Niño 3, Niño 3.4 e Niño 4. A região Niño 3.4 é uma das principais referências utilizadas para avaliar a intensidade do El Niño.
A classificação considera a temperatura da superfície do mar em relação à média histórica:
- El Niño fraco: entre 0,5°C e 0,9°C;
- El Niño moderado: entre 1,0°C e 1,4°C;
- El Niño forte: entre 1,5°C e 1,9°C;
- El Niño muito forte: acima de 2,0°C.
Com a atual anomalia próxima de 1,8°C, o fenômeno está na categoria forte e pode alcançar a classificação de muito forte nas próximas semanas.
A NOAA também passou a utilizar um índice relativo, chamado Relative Oceanic Niño Index (RONI), que considera o aquecimento geral dos oceanos para permitir comparações mais adequadas entre fenômenos registrados em diferentes períodos.
Primavera de 2026 exige atenção em Santa Catarina
Historicamente, o El Niño tende a favorecer chuvas mais frequentes e intensas em Santa Catarina durante as estações de transição, principalmente na primavera e no outono.
Para a Defesa Civil, a primavera de 2026 é uma das principais janelas de monitoramento. O outro período considerado de maior atenção é o outono de 2027.
Isso ocorre porque, durante essas épocas do ano, há maior possibilidade de canalização de umidade da Amazônia em direção ao Sul do Brasil.
No verão, esse fluxo de umidade tende a se deslocar mais para o Sudeste, reduzindo a influência direta sobre Santa Catarina.
Oceanos mais quentes podem favorecer chuvas intensas
Outro fator acompanhado pelos meteorologistas é o aumento da temperatura dos oceanos.
Com mais calor disponível, a atmosfera pode apresentar maior quantidade de umidade, que funciona como combustível para a formação de tempestades e episódios de chuva intensa.
Em Santa Catarina, a proximidade com o Oceano Atlântico, que também apresenta temperaturas elevadas, aumenta a importância desse monitoramento.
No entanto, a ocorrência de eventos extremos depende da combinação de diferentes fatores atmosféricos. Entre eles está a oscilação Madden-Julian, um padrão climático que se desloca pelos trópicos e alterna períodos mais úmidos e secos.
A interação entre esse fenômeno, o jato subtropical e os fluxos de umidade pode determinar se haverá condições para episódios de chuva excepcional.

Temperaturas devem ficar mais elevadas
A evolução do El Niño também pode influenciar o comportamento das temperaturas em Santa Catarina.
Segundo a Defesa Civil, junho ainda apresentou características de inverno mais rigoroso, mas julho e agosto tiveram temperaturas mais amenas, acompanhadas de maior nebulosidade e ocorrência mais frequente de chuva.
A tendência para os próximos meses é de anomalias positivas de temperatura, ou seja, temperaturas acima da média histórica em determinados períodos.
Tornados e ciclones podem ocorrer?
O aumento da disponibilidade de umidade e de instabilidade atmosférica pode favorecer a ocorrência de tempestades severas, microexplosões e tornados.
Isso, entretanto, não significa que necessariamente ocorrerão fenômenos mais intensos.
A própria ocorrência de eventos severos durante períodos de La Niña mostra que a formação de tornados e ciclones depende de um conjunto de condições atmosféricas, e não exclusivamente do El Niño.
Defesa Civil orienta população a se preparar
Diante da previsão de maior frequência de chuva e possibilidade de eventos severos, a Defesa Civil orienta os moradores de Santa Catarina a conhecerem os riscos existentes na região onde vivem.
Entre as principais recomendações estão:
- Verificar se a residência está localizada em área sujeita a inundação ou deslizamento;
- Identificar o abrigo mais próximo em caso de emergência;
- Cadastrar o celular para receber os alertas da Defesa Civil, enviando o CEP por SMS para o número 40199;
- Durante temporais com vento forte ou granizo, procurar um local seguro e permanecer longe de árvores e postes;
- Nunca atravessar ruas alagadas, pontes submersas ou áreas com correnteza;
- Observar sinais de possíveis deslizamentos, como rachaduras em paredes e muros, postes inclinados ou água barrenta surgindo de encostas;
- Em caso de risco de deslizamento, deixar imediatamente o imóvel e procurar um local seguro.
Em situações de emergência, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
A orientação principal é acompanhar os avisos oficiais e não esperar a ocorrência de um desastre para tomar medidas de prevenção.









