A música autoral e a cultura popular de Itapema estarão representadas na 56ª edição do Festival Nacional da Canção (FENAC), em Perdões, Minas Gerais. No dia 21 de agosto, o compositor e músico Teteu Caetano sobe ao palco acompanhado do multi-instrumentista André Sarten para apresentar a canção “Santo Rei”.
A composição é uma homenagem a Silvio Valmor Vieira, mestre do Boi de Mamão de Itapema e figura importante para a trajetória de Teteu e para a preservação da cultura popular do município.
A participação no festival também representa uma oportunidade de levar elementos da cultura catarinense para um dos mais tradicionais eventos de música autoral do país.
“A participação no festival tem um significado especial não apenas por representar Santa Catarina em um evento dessa magnitude, mas também por levar ao público mineiro uma obra profundamente ligada às manifestações da cultura popular catarinense”, destaca Teteu.
“Santo Rei” une Terno de Reis e Boi de Mamão
A música nasceu da relação de Teteu com Silvio Valmor Vieira, reconhecido como Mestre dos Saberes pela Fundação Catarinense de Cultura e conhecido pela atuação como mestre e cantador do Boi de Mamão no Coletivo Tapera, em Itapema.
Na composição, referências do Terno de Reis e do Boi de Mamão são incorporadas a uma linguagem musical contemporânea, característica do trabalho de Teteu.
Para a apresentação no FENAC, a dupla também terá a participação de um percussionista mineiro ligado à congada, manifestação tradicional da cultura popular de Minas Gerais.
Segundo o compositor, a apresentação representa uma forma de preservar a memória de Silvio e, ao mesmo tempo, compartilhar a identidade cultural de Itapema com outras regiões do país.
“É uma honra poder levar essa homenagem ao FENAC. O Sílvio foi uma pessoa muito importante para mim e para a cultura popular de Itapema. A música é uma maneira de manter viva essa memória e, ao mesmo tempo, apresentar um pouco da nossa identidade para outras regiões do Brasil”, afirma.
Música foi destaque em seleção catarinense
“Santo Rei” também ganhou reconhecimento no cenário musical catarinense. A composição foi incluída pelo portal Rifferama entre os destaques dos melhores singles lançados em Santa Catarina no ano passado.
Segundo a curadoria citada pelo artista, a música foi a única composição catarinense presente naquela seleção.
Criado em 1971, o Festival Nacional da Canção é considerado um dos tradicionais festivais de música autoral do Brasil. O evento também é conhecido pelo troféu Lamartine Babo, entregue aos vencedores e considerado uma das premiações de destaque para compositores e intérpretes brasileiros.
Mini-turnê passa por três cidades de Minas Gerais
A participação no FENAC faz parte de uma mini-turnê de Teteu Caetano e André Sarten por Minas Gerais.
Antes do festival, no dia 20 de agosto, a dupla participa do projeto “Romero Bicalho Convida”, em Nova Lima, ao lado do compositor e pesquisador da cultura popular Romero Bicalho.
Depois da apresentação em Perdões, os músicos seguem para Alvinópolis, onde participam do Festival da Canção nos dias 22 e 23 de agosto.
Nessas apresentações, Teteu e André foram convidados a interpretar músicas de outros compositores: “Saudade do Rio Negro”, de José Costa Júnior, de São Paulo, e “Anjo Torto”, de Paulo Araújo, do Ceará.
“Anjo Torto” já rendeu reconhecimento à dupla. A interpretação garantiu a Teteu e André o terceiro lugar no Festival da Canção de Navegantes deste ano.
Cultura catarinense em diálogo com Minas Gerais
Para Teteu, a passagem por Minas Gerais também representa uma oportunidade de aproximar manifestações culturais de diferentes regiões brasileiras.
“Fazer essa mini-turnê e dialogar com a cultura mineira é uma forma de mostrar que nossas tradições também fazem parte desse grande mosaico da música brasileira. O Terno de Reis que é cantado aqui também é cantado lá. O ‘Boi’ que gira aqui também gira lá. No fundo, são manifestações que possuem as mesmas raízes”, destaca o compositor.
A canção “Santo Rei” está disponível nas plataformas digitais e pode ser ouvida pelo público.










