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Violência contra a Mulher. Quando os números gritam, o silêncio custa vidas

Nova campanha da AMFRI propõe um convite direto à sociedade: ouvir o que os números estão dizendo

by da Redação

A violência contra a mulher não começa no feminicídio. Ela se constrói aos poucos, em silêncio, dentro de casas, relações e rotinas que, aos olhos de fora, parecem comuns. Antes de virar estatística, foram gritos abafados, pedidos de ajuda ignorados, sinais que passaram despercebidos. É a partir dessa constatação que nasce a nova campanha da AMFRI – Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí –, que propõe um convite direto à sociedade: ouvir o que os números estão dizendo.

Em Santa Catarina, os dados oficiais revelam um cenário alarmante. São mais de 31 mil medidas protetivas concedidas, cerca de 17 mil registros de lesões corporais dolosas, mais de 5 mil vias de fato, 550 casos de estupro e 52 feminicídios em um único ano. Isolados, esses números podem parecer frios. Juntos, eles formam um grito coletivo que denuncia uma realidade que não pode mais ser naturalizada. A campanha parte justamente dessa inversão de lógica: os números deixam de ser apenas estatísticas e passam a ser vozes.

O conceito criativo “Os números gritam. Precisamos ouvir.” transforma dados em alerta. Cada ocorrência registrada carrega uma história real de dor, medo e violência. Ao assumir que “ouvir” é uma ação ativa, a campanha chama a responsabilidade não apenas do poder público, mas de toda a sociedade. Ignorar os sinais é permitir que o ciclo da violência avance até seus estágios mais extremos. Ouvir, ao contrário, é o primeiro passo para interrompê-lo.
Visualmente, a campanha utiliza a metáfora das matrioskas, bonecas tradicionais que se encaixam umas dentro das outras. Associadas ao ambiente doméstico, elas representam como a violência se acumula, se esconde e se agrava ao longo do tempo. Cada boneca simboliza uma etapa desse ciclo: das agressões iniciais às consequências mais graves. As marcas físicas e emocionais estampadas nas figuras tornam visível aquilo que, na maioria das vezes, permanece invisível. O enquadramento reforça a vulnerabilidade, enquanto o fundo em tom de pele convida o observador a “sentir na pele” a mensagem.
Mais do que sensibilizar, a campanha também informa e orienta. Ao apresentar os canais de denúncia e emergência, reforça que a violência contra a mulher não é um problema privado, mas uma questão coletiva, social e institucional. Denunciar salva vidas. Ouvir, acolher e agir também.

A AMFRI, ao lado dos municípios associados, reforça seu compromisso no enfrentamento à violência contra a mulher por meio de ações integradas, campanhas de conscientização e fortalecimento das políticas públicas regionais. A iniciativa reconhece que o combate à violência exige mais do que números em relatórios: exige empatia, atenção e ação contínua.
Quando os números gritam, o silêncio não pode ser uma opção. Ouvir é um ato de responsabilidade. Agir é uma urgência.

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