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“Somos um estado machista”, afirma Paulinha ao defender protocolo estadual de proteção às mulheres

Deputada propõe sistema unificado de avaliação de risco para fortalecer combate ao feminicídio em Santa Catarina

by da Redação

A deputada estadual Paulinha (Podemos) voltou a abordar a violência contra as mulheres na tribuna da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, nesta terça-feira, em Florianópolis. O debate ocorre em meio ao aumento dos casos no estado: somente em 2026, oito mulheres foram mortas em Santa Catarina, colocando o estado na 3ª posição no ranking nacional de feminicídios.

Durante o pronunciamento, a parlamentar afirmou que o enfrentamento à violência contra a mulher não deve ser tratado apenas como pauta de segurança pública, mas como responsabilidade coletiva.

“A gente tem que entender, de uma vez por todas, que o problema da violência contra a mulher, do feminicídio, não é um tema de segurança pública. Isso é responsabilidade social, que envolve pais e mães e a forma como estamos criando os nossos filhos”, declarou.

Paulinha também criticou o que classificou como machismo estrutural presente na sociedade catarinense.

“A gente não quer assumir que nós somos um estado machista. Quando nos debruçamos a negar o machismo estrutural que nos formou enquanto homens e mulheres, levamos esse tema para um ambiente ideológico que não nos serve. Lá fora morrem mulheres de todas as ideologias e classes sociais”, afirmou.

O tema também foi discutido no programa SCC Meio-Dia, exibido pelo SBT Santa Catarina, com a participação de representantes do Legislativo e das forças de segurança. No debate, a deputada defendeu uma atuação integrada entre instituições para impedir que casos de violência evoluam para feminicídio.

Segundo ela, a concessão de medidas protetivas é fundamental, mas, isoladamente, nem sempre impede a escalada da violência.

Na semana passada, a parlamentar protocolou na Assembleia Legislativa de Santa Catarina um projeto de lei que institui diretrizes para a criação do Protocolo Estadual Unificado de Avaliação de Risco e Proteção à Mulher em Situação de Violência.

A proposta prevê que, após a concessão de medida protetiva, o caso passe por uma avaliação padronizada de risco, com classificação conforme o grau de ameaça enfrentado pela vítima. A partir dessa análise, o Estado deverá organizar respostas integradas e priorizar atendimento imediato em situações consideradas de alto risco.

Entre as medidas previstas estão:

  • Fiscalização do cumprimento das decisões judiciais
  • Monitoramento eletrônico do agressor
  • Uso de dispositivos de alerta emergencial
  • Encaminhamento da mulher e dos filhos à rede de acolhimento institucional, quando necessário

A deputada ressaltou que é essencial garantir que a proteção concedida judicialmente seja acompanhada de mecanismos eficazes de segurança.

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