Após anos de luta e planejamento, o Polo Bilíngue de Camboriú tornou-se realidade neste ano, oferecendo ensino e atendimento especializado em Língua Brasileira de Sinais (Libras) para estudantes surdos da rede municipal. A iniciativa, desenvolvida na Escola Básica Municipal Artur Sichimann, representa um marco na promoção da inclusão e na valorização da cultura surda.
Idealizado em 2018 pelo professor Charlles Giovany Faqueti e pelas intérpretes Priscila dos Santos e Suzamar Antunes, o projeto ganhou vida em 2025 com o apoio decisivo da Secretaria Municipal de Educação. A secretária Carin Krug destacou que o Polo Bilíngue é uma conquista coletiva que reflete o compromisso de Camboriú com uma educação mais justa e acessível.
“A educação é a base para uma sociedade verdadeiramente inclusiva. Ao apoiar o Polo Bilíngue, estamos garantindo que a língua e a cultura dos nossos alunos surdos sejam respeitadas e que eles tenham o atendimento especializado de que necessitam para prosperar”, afirmou Carin Krug.
A E.B.M. Artur Sichimann foi escolhida estrategicamente para sediar o projeto, por sua localização e estrutura, além do apoio do diretor Elias Müller. No contraturno escolar, os alunos surdos recebem atendimento especializado e participam de atividades que fortalecem a socialização, o desenvolvimento linguístico e a identidade surda.
Entre os principais objetivos do Polo estão:
- Contato com pares: garantir convivência e desenvolvimento linguístico entre alunos surdos;
- Inclusão e acessibilidade: promover um ambiente escolar adaptado e acolhedor;
- Fortalecimento da identidade surda: valorizar a Libras e a cultura surda;
- Ensino de Libras: ampliar o aprendizado da língua de sinais também nas turmas regulares.
O professor Charlles Giovany Faqueti, surdo desde os quatro meses de idade, é referência na área e o primeiro docente surdo da Rede Municipal de Camboriú a atuar diretamente com educandos surdos.
“Venho contribuindo com a inclusão e o desenvolvimento linguístico dos alunos surdos há mais de 20 anos. O Polo Bilíngue representa um avanço significativo para nossa comunidade, porque promove acessibilidade real e fortalece nossa identidade”, ressaltou Charlles.
A coautora do projeto, Priscila dos Santos, intérprete e especialista em Tradução e Interpretação Libras-Português, reforçou o valor simbólico da conquista.
“A Libras é mais do que inclusão, é a garantia de um direito adquirido pela comunidade surda”, destacou.
Com o apoio das intérpretes Bianca Lovera e Camilly Santana de Lima, o Polo Bilíngue consolida-se como um modelo de educação inclusiva em Santa Catarina, pautado no respeito às diferenças e na busca por uma sociedade mais igualitária.
O projeto marca uma nova fase da educação municipal de Camboriú, inspirando outras cidades a investir em iniciativas bilíngues que garantam equidade, acessibilidade e valorização da diversidade linguística e cultural.

