Nesta quinta-feira (12), 93 profissionais da Rede Municipal de Ensino de Balneário Camboriú participaram do curso de formação continuada “A Escola Integral em Tempo Integral: desafios e potencialidades”, sediado no IFC – Campus Camboriú. Organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE IFC), a partir do Programa Integrado de Extensão na Pós-Graduação (PROEXT-PG IFC), o encontro teve apoio das Secretarias de Educação de Balneário Camboriú, Camboriú e Itapema.
A formação é voltada para professores e equipes pedagógicas e abrange profissionais do Núcleo de Educação Infantil (NEI) São Judas e Centro Educacional Municipal (CEM) Ivo Silveira, duas unidades do município que oferecem a modalidade para crianças de 4 e 5 anos e estudantes do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, respectivamente. Além dos educadores de Balneário Camboriú, participaram profissionais das cidades de Camboriú e Itapema.
“O município adotou recentemente o Programa Escola em Tempo Integral do governo federal e sabemos da importância de promover o fortalecimento desta vertente. Hoje, temos mais de 300 crianças matriculadas em tempo integral e investir na formação dos professores é fundamental para proporcionar um currículo integrado, interdisciplinar e conectado com a realidade das escolas. Essa parceria com o IFC permite qualificar o debate pedagógico e apoiar nossas equipes na construção de caminhos para uma educação integral que faça sentido para a rede municipal e para nossos alunos”, aponta a secretária de Educação, Zélia Zanella.
Com carga horária de 20h, a formação foi dividida em dois encontros presenciais de 8h e outros dois encontros online de 2h. Neste primeiro dia de formação, foram debatidos temas como currículo interdisciplinar/integrado, contraturno, projetos especiais e metodologias de ensino. De acordo com a coordenadora do PROEXT-PG, Roseli Nazário, o próximo encontro presencial deverá ocorrer no dia 15 de abril.
“Entendo que as redes precisam de tempo para uma organização, para trabalhar com um processo educativo que realmente acolha, que trabalhe com as diferenças e que possa fazer com que o tempo de vida dentro da escola para crianças e adultos seja um tempo de qualidade, de aprendizagem e, sobretudo, seja um tempo de vida”, comenta.
O responsável por ministrar a formação é o professor Juares Silva Thiesen, mestre em Educação e doutor em Ciências Pedagógicas. Atualmente pós-doutorando do PPGE IFC, o professor conta que a base central do curso ministrado nesta quinta é o debate sobre a ampliação do tempo curricular das escolas.
“A gente vem discutindo não só a ampliação desse tempo, mas um tempo qualificado, que de fato amplie as oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento para todas as crianças no sentido mais amplo possível. Estamos dando enfoque a essa multidimensionalidade do ser humano e como é que a escola pode acolher pelo seu currículo e fazer uma formação consistente”, enfatiza.
“Nós, professores, realmente precisamos de formação para trabalhar, porque a criança entra na escola às 7h45 e sai às 16h30; ela fica praticamente o dia todo conosco. Então temos que ter embasamento de como vamos trabalhar com essa criança. É um aprendizado a cada dia; acredito que a teoria nos traga esse fortalecimento para colocarmos em prática”, diz uma das participantes, a professora de Leitura do CEM Ivo Silveira, Fernanda Cassia Guimarães Alves.
Entenda a diferença entre educação integral e tempo integral*
Por Educação Integral compreende-se o processo de ensino, aprendizagem e participação, abarcando as diferentes dimensões constitutivas do ser humano (saber, física, intelectual, social, emocional, simbólica, política, cultural, entre outras), articuladas entre si e em desenvolvimento contínuo ao longo da vida. A Educação Integral é também o fundamento integrador das dimensões do cuidar e educar e da relação entre a educação escolar e as práticas sociais em toda a Educação Básica.
Já a educação em tempo integral trata-se da ampliação da carga-horária dentro da escola. O tempo é uma das estratégias que possibilita a materialização da proposta de um currículo de Educação Integral, mas não a única. É essencial que a ampliação e organização do tempo integral sejam consequência do Projeto Político-Pedagógico e do Currículo escolar, associado aos espaços dentro e fora da escola, considerando a diversidade de materiais que são ofertados nas experiências educativas, atento às interações e organizações de agrupamentos entre os estudantes, promotora de saberes de diferentes matrizes étnico-raciais no currículo escolar, assim como asseguradora da escuta e participação dos estudantes e comunidades escolares nos processos educativos e na gestão escolar.
*Fonte: Governo Federal

