A prevenção da violência contra a mulher precisa começar antes que os casos aconteçam. Essa foi uma das principais mensagens levadas por Yohana Frainer à Câmara de Vereadores de Itapema durante participação na Tribuna do Povo.
Assessora Jurídica da Vara Criminal de Itapema, Yohana aproveitou o debate relacionado ao Agosto Lilás para chamar a atenção para a necessidade de conversar de forma contínua com crianças, adolescentes e jovens sobre relacionamentos abusivos, consentimento, respeito, ciúme, controle e diferentes formas de violência.
“Quem está ensinando nossos adolescentes a se relacionar?”, questionou durante o pronunciamento.
Para Yohana, enquanto a sociedade ainda debate se determinados assuntos devem ser tratados com adolescentes, os jovens já estão diariamente expostos a conteúdos sobre relacionamentos por meio dos celulares, algoritmos e redes sociais.
A avaliação é de que a informação precisa chegar antes de uma situação de violência, e não somente quando a vítima já precisa recorrer à rede de proteção.
Jovens ainda têm dúvidas sobre violência psicológica
Durante a fala, Yohana relatou experiências em atividades realizadas em escolas em parceria com o Instituto Catarinas. Nas conversas com estudantes do Ensino Médio, segundo ela, foi possível perceber que muitos adolescentes ainda apresentam dúvidas sobre o que caracteriza violência psicológica, como reconhecer sinais de abuso, de que maneira ajudar uma amiga e onde buscar apoio.
Para a assessora, esse cenário mostra que a prevenção precisa ser fortalecida dentro do ambiente escolar.
“Se eles ainda têm dúvidas nessa fase, a responsabilidade de transformar isso é nossa!”, afirmou.
Na avaliação de Yohana, melhorar a estrutura de atendimento às vítimas é necessário, mas não deve ser a única estratégia. Para ela, o poder público também precisa investir em ações capazes de evitar que a violência aconteça.
Proposta é transformar prevenção em política pública
A principal defesa apresentada na Tribuna do Povo foi pela criação de uma política permanente de prevenção da violência contra a mulher nas escolas de Itapema.
Yohana considera insuficiente a realização de ações pontuais ou de uma palestra anual sobre o tema. Segundo ela, a formação dos adolescentes precisa acompanhar a frequência com que eles são expostos a conteúdos sobre relacionamentos nas redes sociais.
“Uma palestra por ano não é suficiente”, afirmou.
A comparação feita durante o pronunciamento é direta: enquanto as escolas podem abordar o tema eventualmente, os algoritmos das redes sociais apresentam diariamente aos adolescentes conteúdos sobre relacionamentos, muitas vezes sem qualquer mediação ou orientação.
Informação como ferramenta de prevenção
A participação na Câmara reforçou a importância da educação como instrumento de enfrentamento à violência contra a mulher.
A proposta defendida é que temas como respeito, consentimento, relacionamentos saudáveis, violência psicológica, sinais de abuso e canais de apoio façam parte de ações permanentes de prevenção, permitindo que os jovens reconheçam situações de violência e saibam como procurar ajuda.
Ao levar o debate ao Plenário, Yohana também destacou a responsabilidade coletiva na construção de uma cultura de prevenção, especialmente entre crianças, adolescentes e jovens.
O pronunciamento completo pode ser conferido no vídeo da TV Câmara de Itapema.










