Aos 38 anos, Giselle Cristina Willi alcançou o ponto mais alto do pódio no Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu da CBJJC, realizado no último domingo (30), em Joinville. A conquista, na categoria Master Faixa Branca, tem um significado que vai muito além da medalha de ouro.
Há cinco anos, Giselle sofreu um acidente de trabalho que provocou a amputação de três dedos da mão direita. A partir daquele momento, precisou reaprender atividades cotidianas, adaptar movimentos e lidar também com as consequências emocionais provocadas pela mudança física.
Durante esse período, situações simples passaram a exigir novas estratégias. A própria imagem também se tornou um desafio. Segundo o relato, Giselle chegou a esconder a mão em fotografias por não se sentir confortável com a aparência após o acidente.
Foi nesse processo de adaptação que o jiu-jitsu entrou em sua vida.
A modalidade passou a representar uma oportunidade de recuperar a confiança e descobrir novas possibilidades. No tatame, Giselle encontrou uma forma de transformar aquilo que inicialmente era uma dificuldade em parte da sua trajetória esportiva.
Ouro após uma trajetória de superação
No campeonato disputado em Joinville, Giselle enfrentou adversárias na categoria Master Faixa Branca e terminou a competição com o título brasileiro.
Para o professor Leandro Loss, a medalha representa o resultado de todo o caminho percorrido pela atleta.
“É só o início de muitas vitórias que ainda virão. Mais do que uma medalha, essa conquista representa tudo aquilo que ela enfrentou até chegar aqui. É impossível não se emocionar com uma história como essa”, afirmou.
Um dos momentos mais marcantes aconteceu após a competição, quando Giselle conversou com o filho, William Nicolau Barth, que também é atleta. Emocionada, ela resumiu o significado daquela vitória em uma frase:
“Filho, ganhei! Ganhei delas, e elas têm dez dedos.”
A declaração traduz a dimensão pessoal da conquista. Para Giselle, o título brasileiro representa não apenas o resultado de uma competição, mas também a superação de inseguranças e dos desafios enfrentados desde o acidente.
A história mostra como o esporte pode assumir um papel importante na reconstrução da confiança e na busca por autonomia após uma mudança significativa na vida.
Agora, com o ouro brasileiro no currículo, Giselle inicia uma nova etapa dentro do jiu-jitsu — e, como destaca seu professor, essa pode ser apenas a primeira de muitas conquistas.










