A tradição dos engenhos de farinha segue viva em Bombinhas. Durante o mês de junho, cinco famílias do município mantiveram em funcionamento a produção artesanal de farinha de mandioca, reafirmando um dos costumes mais importantes da cultura catarinense justamente no ano em que os Saberes e Fazeres Associados aos Engenhos de Farinha de Santa Catarina foram reconhecidos como Patrimônio Cultural do Brasil.
As atividades aconteceram principalmente nas comunidades do Sertãozinho e de Bombas, reunindo moradores, estudantes, pesquisadores e visitantes em torno de um conhecimento transmitido entre gerações.
Programação reuniu comunidade e valorizou a memória
A programação começou em 11 de junho, no Museu Comunitário Engenho do Sertão, com o Encontro de Farinheiros e a exibição do documentário Farinhar, promovendo um momento de celebração da história e da identidade cultural ligada aos engenhos.
Ao longo do mês, o engenho da família Mendes foi um dos principais protagonistas das atividades. Sob a condução do jovem mestre farinheiro Lênio Mendes, representante da quarta geração da família, o espaço recebeu moradores, estudantes e participantes de projetos culturais.
Além da produção da farinha, os visitantes acompanharam todas as etapas do processo tradicional, desde a raspagem e lavagem da mandioca até a cevagem, prensagem, peneiração, quebra da massa e torra — fase considerada uma das mais técnicas e preservada por poucos mestres farinheiros.
Produção também beneficiou projetos sociais
Durante as ações promovidas pelo Movimento Agroecológico de Mulheres (MAM), foram produzidos aproximadamente 250 quilos de farinha de mandioca.
Parte dessa produção foi destinada à alimentação escolar da rede municipal e à composição de cestas básicas distribuídas pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), reforçando o papel social da atividade tradicional.
A produção também abasteceu projetos coordenados pelo Instituto Boimamão, entre eles:
- Da Raiz à Farinha – A Mandioca e as Mulheres, desenvolvido em parceria com o MAM e com apoio do Fundo Casa;
- Segunda Farinhada do Sertão, realizada por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), com apoio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC).
Mudança de sede marca nova fase
As atividades também simbolizaram um momento importante para o Instituto Boimamão. Com a transferência do Museu Comunitário Engenho do Sertão para uma nova sede, em Canto Grande, esta poderá ter sido a última farinhada realizada no espaço histórico do Sertãozinho.
Como forma de auxiliar na mudança, a farinha produzida para o museu será comercializada para arrecadar recursos destinados à nova estrutura.
Cinco famílias mantêm a tradição viva
Além da família Mendes, outros quatro engenhos permaneceram ativos durante a temporada de farinhadas:
- Família de Dona Elba e Azeneu;
- Família de Seu Suel de Melo;
- Família de Bielinho;
- Outra família participante das ações apoiadas pelo município.
As atividades também envolveram estudantes da Escola de Educação Básica Maria Rita Flor, por meio de ações de educação patrimonial financiadas pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), em parceria com a Fundação Municipal de Cultura de Bombinhas.
Para os organizadores, mais do que manter uma técnica tradicional de produção, as farinhadas preservam um espaço de convivência, aprendizagem e valorização da identidade cultural, garantindo que esse patrimônio permaneça vivo para as próximas gerações.










