O Comitê Integrado de Paz e Segurança nas Escolas (Integra) concluiu a primeira etapa dos Seminários Macrorregionais de Segurança nas Escolas em Santa Catarina. O encerramento ocorreu no último dia 16 de junho, em Governador Celso Ramos, marcando o fim de um ciclo de seis encontros realizados em diferentes regiões do estado.
Promovida pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), a iniciativa reuniu representantes da educação, segurança pública, defesa civil, saúde, justiça e sociedade civil para discutir estratégias de prevenção à violência no ambiente escolar.
Ao longo dos seminários, aproximadamente 2,3 mil pessoas participaram das atividades, entre educadores, gestores, prefeitos, secretários municipais de Educação e profissionais das forças de segurança. Segundo os organizadores, cerca de 5 mil unidades escolares das redes municipal, estadual e privada foram alcançadas pelas ações.

Seminários percorreram seis regiões catarinenses
Além de Governador Celso Ramos, os encontros foram realizados nos municípios de Campos Novos, Araranguá, Rio do Sul, São Miguel do Oeste e São Bento do Sul.
O programa é coordenado pela deputada estadual Paulinha (Podemos), responsável pela articulação das ações desenvolvidas pelo comitê. Entre as iniciativas já implementadas estão cursos virtuais, podcasts educativos e uma missão técnica internacional aos Estados Unidos para conhecer experiências voltadas à segurança escolar e à saúde mental.
Próxima etapa terá palestras e simulados nas escolas
Com o encerramento dos seminários regionais, o Integra passa agora a concentrar esforços em ações práticas dentro das unidades de ensino catarinenses.
A nova fase prevê a realização de palestras sobre segurança escolar, protocolos de emergência, Plano de Contingência Multirriscos (PlanCon) e o funcionamento do próprio comitê, além de simulados para preparação de alunos e profissionais da educação diante de possíveis situações de risco.
Caso em Porto Belo reforça debate sobre prevenção
A ampliação das ações ocorre em um momento em que a segurança escolar volta ao centro das discussões no estado. No último dia 12 de junho, uma estudante foi ferida após um episódio envolvendo arma branca dentro de uma escola em Porto Belo. O caso segue sob investigação das autoridades.
Embora o episódio tenha características distintas dos ataques planejados registrados em outras regiões do país, ele reacendeu o debate sobre a importância de protocolos preventivos, acompanhamento psicológico e canais de escuta dentro das instituições de ensino.
Radicalização online preocupa especialistas
Dados apresentados pelo comitê apontam um crescimento expressivo das ameaças direcionadas a escolas em ambientes digitais. Entre 2021 e 2025, as menções relacionadas a ataques escolares aumentaram 360%.
Outro dado que preocupa é o aumento de conteúdos que exaltam episódios de violência em escolas. Enquanto esse tipo de publicação representava apenas 0,2% do total em 2021, passou a corresponder a 21% das ocorrências monitoradas em 2025.
Em âmbito nacional, foram registrados 42 ataques a escolas entre 2002 e fevereiro de 2025, atingindo 43 comunidades escolares e resultando em 182 vítimas, entre mortos e feridos.
Em Santa Catarina, não houve novos ataques com vítimas fatais desde o atentado registrado em Blumenau, em 2023. Segundo o Integra, o resultado é atribuído ao fortalecimento das ações preventivas, investimentos em infraestrutura escolar, capacitações, monitoramento virtual e elaboração de planos de contingência.
A próxima iniciativa em desenvolvimento pelo comitê é a criação da Escola de Pais, projeto que pretende orientar famílias sobre os riscos da radicalização e da violência no ambiente digital.









