Itajaí deu mais um passo para ampliar sua participação na indústria de defesa e segurança. Entre os dias 2 e 4 de setembro, representantes da Prefeitura estiveram em Brasília para apresentar a autoridades federais o projeto de lei que prevê a criação do Polo Municipal da Base Industrial de Defesa e Segurança de Itajaí (PBIDS-Itajaí).
A proposta foi discutida com equipes do Ministério da Defesa e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI). A agenda também incluiu a participação no Brazilian Defense Day, realizado na Escola Superior de Defesa.
O projeto ainda está em fase de construção. O objetivo da missão em Brasília foi justamente apresentar o documento à área técnica do Ministério da Defesa para receber sugestões e contribuições antes da elaboração da versão definitiva.
Depois dessa etapa, o texto deverá ser submetido à avaliação do prefeito Robison Coelho e, caso seja aprovado pelo Executivo, encaminhado à Câmara de Vereadores de Itajaí.
Polo pretende ampliar participação de empresas locais
A criação do PBIDS-Itajaí pretende estabelecer uma política municipal voltada ao desenvolvimento da Base Industrial de Defesa e Segurança, reunindo diferentes áreas que já possuem presença no município e na região.
A proposta não se limita à indústria naval. O projeto considera setores como engenharia, metalmecânica, eletroeletrônica, automação, desenvolvimento de software, cibersegurança, pesquisa, inovação, manutenção especializada e tecnologias de uso dual, que podem atender tanto aplicações civis quanto de defesa.
A iniciativa começou a ser estruturada a partir de um Protocolo de Intenções firmado entre a Prefeitura de Itajaí, a FIESC e o Sebrae/SC durante a SC Expo Defense, em maio de 2026.
A partir do acordo, foi criado um grupo de trabalho formado pela Procuradoria-Geral do Município, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, CONDEFESA/FIESC e Sebrae/SC. O grupo passou a trabalhar nos aspectos jurídicos, técnicos e estratégicos necessários para estruturar o polo.
Construção das fragatas reforça posição estratégica de Itajaí
Um dos principais fatores que colocam Itajaí em posição estratégica nesse mercado é a participação do município no Programa das Fragatas Classe Tamandaré, da Marinha do Brasil.
As quatro embarcações são construídas no TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, dentro de um programa que envolve aproximadamente 1.000 empresas, cerca de 40% de conteúdo local em equipamentos e serviços nacionais e uma estimativa de 23 mil empregos diretos, indiretos e induzidos.
O cenário também mostra o crescimento da participação catarinense no setor. Em 2025, 219 empresas de Santa Catarina forneceram produtos ou serviços para a área de defesa, movimentando R$ 211,8 milhões, segundo os dados apresentados no projeto.
O número de empresas catarinenses credenciadas junto ao Ministério da Defesa também aumentou de forma significativa: passou de uma empresa em 2016 para 33 em 2026.
Estratégia mira pequenas e médias empresas
Com a criação do polo, Itajaí pretende ampliar a participação de empresas locais e regionais nessa cadeia produtiva, incluindo pequenos e médios negócios e empresas de base tecnológica.
Entre as ações previstas estão o desenvolvimento de fornecedores, adequação das empresas a requisitos técnicos, busca por certificações, incentivo à inovação, qualificação profissional e aproximação com grandes integradoras e potenciais compradores do setor.
Também participam da articulação a Invest Itajaí S.A., o Elume – Centro Regional de Inovação e outras instituições ligadas ao desenvolvimento tecnológico e industrial.
A expectativa é que o polo contribua para transformar a presença já consolidada da indústria naval em uma oportunidade mais ampla de desenvolvimento econômico, tecnológico e de inovação para Itajaí e toda a região.










