A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) realizou, na noite desta quarta-feira (5), uma audiência pública para discutir os impactos do fechamento de agências bancárias no estado. O principal encaminhamento do encontro foi a criação de uma comissão responsável por estudar propostas legislativas que garantam a manutenção do atendimento presencial nas instituições financeiras.
Promovida pela Comissão dos Direitos do Consumidor, a audiência reuniu parlamentares, representantes de entidades sindicais, bancários e especialistas para debater os reflexos da redução da rede física de atendimento, especialmente para idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade e moradores de municípios de pequeno porte.
Digitalização não substitui atendimento presencial, afirmam entidades
O debate foi solicitado pela Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Santa Catarina (Fetrafi-SC), que questiona o fechamento de agências motivado pelo avanço da digitalização dos serviços bancários.
Segundo o secretário-geral da entidade, Marco Aurélio Silvano, a tecnologia trouxe avanços, mas não substitui o atendimento humano em situações mais complexas.
“Não negamos a importância da tecnologia, mas ela não substitui o homem. Problemas complexos, operações de crédito, casos de fraude e o atendimento de pessoas sem acesso à internet ou idosas exigem a presença de profissionais qualificados.”
Silvano também alertou para a sobrecarga enfrentada pelos bancários com a redução do número de funcionários nas agências.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Grande Florianópolis (Sintrafi), Cleberson Eichholz, defendeu a criação de leis que obriguem os bancos a manter atendimento presencial mínimo, principalmente para garantir acesso aos clientes mais vulneráveis.
Já o representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Gustavo Tabatinga, sugeriu ainda que o Estado priorize operações financeiras apenas com instituições que mantenham uma rede adequada de atendimento presencial.
Santa Catarina perdeu 40% das agências em dez anos
Durante a audiência, o economista do Dieese, Gustavo Cavarzan, apresentou dados sobre a redução da estrutura bancária em Santa Catarina.
Segundo o levantamento:
- Houve redução de 40% no número de agências bancárias no estado na última década;
- O setor perdeu 30% dos postos de trabalho no mesmo período;
- 44% dos municípios catarinenses não possuem mais agência bancária;
- Mais de 600 mil pessoas vivem em cidades sem atendimento bancário presencial.
O economista afirmou que a diminuição das agências afeta diretamente a economia local, reduzindo a arrecadação municipal, dificultando o acesso ao crédito para pequenos empresários e ampliando problemas como o endividamento da população.
Cavarzan também destacou que Santa Catarina conta atualmente com cerca de 12,3 mil correspondentes bancários, número 21 vezes superior ao de agências, mas ressaltou que esses estabelecimentos oferecem apenas serviços limitados e não substituem o atendimento completo realizado por uma agência bancária.
Próximos passos
Ao final da audiência, foi proposta a criação de uma comissão para elaborar estudos e discutir projetos de lei que garantam a manutenção de atendimento presencial nas instituições financeiras que atuam em Santa Catarina.
A expectativa é que o grupo avalie medidas para assegurar o acesso da população aos serviços bancários, especialmente em municípios onde as agências foram encerradas.










